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sábado, 27 de agosto de 2011

A QUE SOU E A QUE FUI


De há muito minhas mãos estão vazias
nada tenho de meu para ofertar-te.
Meus pensares vagueiam em noites frias.
Cansados, já não podem consolar-te.

Tão seca tenho minha fonte, agora,
que não posso saciar a tua sede.
A inquietação de febre me acalora,
me sufoca e me prende em sua rede.

Mas isso é agora. Se tu palmilhares
os lugares por onde eu floresci,
ouvirás, nas palmeiras, os cantares
dos pássaros que fui. Eu me perdi

em mim, bem sei. Um átimo imaturo,
transfigurei-me em árvores e ninhos.
Mas fui semeadora do futuro
nos versos que plantei pelos caminhos.

Belo Horizonte, 1957.

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