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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

VIAGEM


As mãos
são asas cansadas
de tantos voos sem rumo.

Os pés
são mágoas na estrada
– não deixam sêmen nem flor.

Segui.
Os olhos choraram
resinas de dor amarga.

Os lábios
Não blasfemaram
– chamaram apenas por ti.

Mergulhei
nas águas frias:
o pranto não congelou.

Sequei
o corpo ao relento
– alga sobre areia ardente –

Ficou
o corpo sem seiva
e o pranto continuou.

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